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REALEZA DA 2ª EXPO ANITA APRESENTA TRAJE DE PASSEIO

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Muito além de uma roupa, está a identidade do município enaltecido através da história da Heroína Anita Garibaldi.

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O Traje de Passeio utilizado pela realeza da 2ª Expo Anita, a Rainha Priscila Rodrigues dos Santos, pela 1º Princesa Francine Goularte e pela 2º Princesa Gabriela de Jesus da Rosa, foi apresentado recentemente durante o Desfile Cívico de 7 de setembro.

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Confeccionado pelo Ateliê La Unica, da cidade de Lages, as cores, texturas e modelo trazem um significado especial, ligado a Heroína Anita Garibaldi, a Guerra dos Farrapos e a cultura gaúcha, muito forte no município anitense e região.

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A estilista Ana Lopes, do ateliê La Única descreve o conceito utilizado na confecção dos trajes de passeio da realeza, que seguirá também no traje oficial para a Expo que acontece no mês dezembro no município.

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“O primeiro traje passeio da Expo Anita homenageia a mulher cuja coragem permaneceu não apenas na história, mas também no nome da cidade. A memória de Anita Garibaldi está ligada à sua passagem por esta região depois da Batalha de Curitibanos, quando, após ser capturada, encontrou forças para fugir e continuar seu caminho.

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É dessa imagem de Anita — uma mulher em movimento, atravessando fronteiras e enfrentando os limites do seu tempo — que nasce o traje. Sua forma alongada guarda a lembrança das antigas vestimentas de campanha, roupas usadas durante jornadas, deslocamentos e situações de luta. Não se trata de reproduzir o que Anita vestiu, mas de trazer para o presente a força de quem não recuou diante do caminho.

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O ponto de partida é o lenço vermelho.
Durante a Revolução Farroupilha, o vermelho era a cor preferida nos lenços dos farroupilhas, lado pelo qual Anita lutou. O lenço não era apenas parte da vestimenta: carregava identidade, coragem e o espírito guerreiro daqueles que defendiam seus ideais.

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Nesta criação, o lenço deixa de ser apenas um detalhe ao redor do pescoço. Ele cresce, percorre o corpo e se transforma no traje inteiro. O vermelho envolve a peça como uma memória que não pode ser escondida. É a luta deixando de ser apenas lembrada para se tornar presença.
Mas a história não foi construída por uma única cor.

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Ao longo das lutas do Sul, outras cores de lenço também representaram diferentes grupos, ideias e posições. No traje, essas cores reaparecem reunidas na estampa. Elas já não marcam lados opostos: encontram-se no mesmo tecido e dão origem a um novo floral.

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As diferenças do passado não são apagadas, mas transformadas. Cada cor permanece visível, trazendo consigo uma parte da história, enquanto todas passam a compor a mesma estampa. O que antes servia para distinguir agora forma uma nova paisagem.

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As flores representam o campo vivo, os diferentes cultivos e o trabalho de quem planta, cuida e colhe. Elas mostram que a liberdade não nasceu pronta: foi aberta aos poucos, atravessando conflitos, escolhas e mudanças até chegar às possibilidades que existem hoje.

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Essa ideia também aparece na própria construção do traje. Quando a estrutura vermelha se abre, as nesgas florais são reveladas. A abertura não representa uma ruptura, mas um caminho. Assim como os caminhos foram sendo abertos para que hoje cada pessoa possa escolher o que cultivar e construir seu futuro no campo, o traje também se abre para revelar a esperança guardada em seu interior.

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O vermelho lembra o que precisou ser enfrentado. O floral mostra aquilo que pôde nascer depois.
O detalhe inspirado no barbicacho traz a ligação com a vida campeira de uma forma mais silenciosa. No campo, o barbicacho mantém o chapéu firme diante do vento e acompanha quem percorre longas distâncias. No traje, ele representa o laço que mantém viva a memória. Assim como o barbicacho não permite que o vento leve aquilo que pertence ao campeiro, esse detalhe lembra que o tempo também não deve levar as nossas origens.

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Este traje não celebra a guerra. Ele reconhece que a paz vivida no presente foi antecedida por lutas, perdas e pessoas que tiveram coragem para enfrentar o seu tempo. Por isso, ele é o primeiro capítulo de uma narrativa que terá continuidade no traje oficial.

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O vermelho guarda a coragem farroupilha.
As outras cores reconhecem os diferentes caminhos da história.
E as flores mostram que aquilo que um dia separou também pode, no presente, nascer junto.
O que antes era lenço agora é traje.
O que antes distinguia hoje reúne.

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E a cidade, ao vestir essas cores, veste a coragem da mulher cujo nome escolheu guardar”, Estilista Ana Lopes.

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Jornal Correio dos Lagos

Imagens: Kely Matos

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